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segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Um ponto final.

Tanta coisa aconteceu desde as últimas postagens... Pra ser sincera, não li e não lembro o que escrevi nas últimas vezes.

Um show incrível, um emprego abençoado, uma viagem com a família, festas de final de ano, ano novo. Férias? Não, sem férias e com uma notícia terrível: uma morte.

Quanta coisa passando pela minha cabeça agora. Difícil organizar tudo isso. Difícil encontrar as concordâncias e as palavras, a forma correta de escrever, os acentos, os pontos. O ponto final.

Medo desses pensamentos e ideias que insistem em permanecer na minha cabeça. Mais do que permanecer, ficam martelando na minha consciência - se é que estou realmente consciente de algo - latejando. Medo de surtar. Medo de mim.

"Atirei-me na cama. Estava cansado (...) mas sabia que não ia conseguir pegar no sono. Minha cabeça estava louca demais. Os pensamentos quicavam dentro de meu crânio como um enxame desordenado de abelhas. Barulhentas. De vez em quando, davam uma ferroada. Deviam ser vespas, não abelhas. As abelhas morrem depois de picar. E os mesmos pensamentos ficavam me picando sem parar" Breaking Dawn - Livro II, Jacob. Página 122.

Queria poder ficar trancada em casa, incomunicável, esquecida. Sem falar com ninguém fora da minha casa. Sim, sou covarde, medrosa, insegura e não quero encarar a realidade.

terça-feira, 28 de julho de 2009

♪ vamos falar de solidão...

É chegada a hora de falar de mais uma das minhas dissonâncias: minha vida amorosa. Ok, todas as pessoas têm problemas e questionamentos em relação ao amor,mas não é exatamente sobre isso do que se trata a minha dissonância.

Bom, eu tenho 20 anos (21 no próximo dia 18!) e, por mais estranho que possa parecer para as pessoas em geral, eu nunca namorei. "Ah! Mas já ficaste com vários meninos, né?" Vários, não. Apenas dois e nenhum deles foi aquele "oooh", se é que dá para entender.

Sinceramente, eu não consigo me entender. Paralela e ambiguamente, eu quero ter uma pessoa, eu quero amar e ser amada, quero poder confiar e me entregar, viver momentos divertidos, assim como poder estar ao lado dele nos seus momentos difíceis. Lindo isso, não? Sim, mas na teoria, porque na prática as coisas são (MUITO) complicadas pra mim.

Talvez as coisas nunca foram complicadas. Talvez eu as enxergava de forma complicada, fantasiando complicações, dificuldades... fantasiar também sempre foi um problema, porque na maioria das vezes era seguida de frustrações e desilusões. Obs.: falar sobre fantasias/imaginações outra hora.

Eu simplesmente não consigo entender o que se passa comigo! Qualquer iminência de uma aproximação, eu entro em pânico, começo a arrumar desculpas esfarrapadas e, mesmo querendo o contrário, eu acabo estragando tudo e afastando a pessoa de mim.

Sempre foi assim, mas só agora eu pude perceber de forma consciente como é o mecanismo complexo que eu desenvolvi ao longo desses anos. Está claro pra mim que o fato de eu ter tido infância e adolescência muito caseiras (o que eu sempre gostei MUITO) contribuíram para que eu me fechasse no meu casulo, na minha toca e mantivesse os outros afastados, longes de mim. De certa forma, era um tipo de proteção, eu acho. Portanto, não posso reclamar muito da minha vida amorosa nada movimentada, afinal, ela é - em grande parte - fruto do que eu mesma criei.

Ontem, durante uma visita de família, peguei o livro "Minutos de Sabedoria" da minha tia e abri em uma página qualquer. A mensagem era sobre coragem, sobre seguir em frente com os sonhos e não ter medo. Ironicamente, falta de coragem sempre foi um dos meus dilemas. O texto foi perfeito.

Neste momento, estou sentindo a tal da "iminência de uma aproximação" e eu estou tentando não entrar em pânico, muito menos afastá-lo de mim.

terça-feira, 7 de julho de 2009

confiar ou não confiar? eis a questão!


Os minutos antes de dormir são sempre muito produtivos para mim. Na maioria das vezes, é angustiante e acaba em lágrimas também, contudo, algo positivo (por menor que seja) sempre me aparece.
É nesse momento de divagações, devaneios e flashbacks que eu tento fazer um balanço do meu passado, das escolhas que fiz e das que deixei passar, do que eu não vivi, assim como também analiso as possibilidades para o meu futuro. Visualizo a pessoa que eu estou me tornando, o que eu posso me tornar, o que eu GOSTARIA de me tornar. Penso, logo não durmo.
Meus pensamentos são, contraditoriamente, meus melhores amigos e ouvintes, como também, meus piores inimigos. Ao mesmo tempo em que penso sobre tudo sem receio, sem censura, meus pensamentos também me traem e me deixam abandonada com as dúvidas.
Se sentir só, sem amigos verdadeiros, sem ter em quem realmente confiar, é algo que simplesmente te deixa sem chão. Você pode ter vários colegas, mas você tem AMIGOS? Pois eu posso contar nos dedos o número de amigos que encontrei durante a minha vida até hoje. E eu nem precisaria usar as duas mãos para contar...
A família é, muitas vezes, o lugar onde você pode encontrar confiança, base, apoio, conselhos, mas até mesmo na família, você se sente sozinho algumas vezes. Em certos momentos, é difícil para a família entender seus questionamentos, suas angústias. “Mas tu tens tudo e ainda reclama de barriga cheia, isso chega a ser pecado, menina!”
E quando eu falo em família, quero deixar claro que refiro-me à família nuclear, composta por pai, mãe e irmãos. Demais parentes e afins muitas vezes são mais causadores de conflitos e inveja do que muitos desconhecidos. E quando o tapa na cara vem de alguém que tem o mesmo sangue que o seu – os tais parentes e afins – a dor é maior, porque você esperava que isso não acontecesse.
Voltando o foco deste devaneio para os meus excelentíssimos “amigos”, cheguei à triste (e tardia) conclusão de que é hora de deixar de ser essa menina boba, ingênua e que confia nas pessoas. Confia porque (ainda) acredita nelas, acredita no ser humano. É chegada a hora de encarar a realidade de que estou sozinha e de que será sempre assim. Ou supero este fato e sigo em frente da melhor maneira possível, ou nunca sairei deste mesmo lugar que venho ocupando por tanto tempo.
Falar é fácil, como dizem por aí, mas na hora de colocar o belo discurso em prática meto os pés pelas mãos e acontece tudo novamente. Eu acredito de novo nas pessoas, confio, conto meus segredos, meus medos, me abro. E, então, já é tarde demais outra vez...


“É preciso endurecer sem jamais perder a ternura”
Ernesto Rafael Guevara de la Serna